600 Mil Brasileiros Já Pediram Reembolso ao FGC Após Fraude do Master

Três em cada quatro investidores prejudicados pela liquidação do Banco Master já solicitaram o reembolso ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Até esta segunda-feira (20), cerca de 600 mil brasileiros registraram pedidos de ressarcimento dos R$ 40,6 bilhões bloqueados após o Banco Central decretar a liquidação da instituição em novembro, por fraudes estimadas em R$ 12 bilhões. O processo, iniciado no último sábado (17), enfrenta alta demanda mas segue dentro do prazo previsto.

A Corrida pelo Reembolso

O FGC estima que 800 mil credores têm direito ao reembolso – número bem menor que a estimativa inicial de 1,6 milhão, após a consolidação dos dados das três instituições liquidadas (Banco Master S.A., Banco Master de Investimento S.A. e Banco Letsbank S.A.). A redução ocorreu porque muitos clientes possuíam contas ou investimentos em mais de uma das empresas do grupo, e a individualização por CPF e CNPJ revelou o número real de pessoas afetadas.

Desde sábado, quando o sistema foi liberado às 9h30, a procura tem sido intensa. O aplicativo do FGC chegou a enfrentar instabilidade no primeiro dia devido ao alto volume de acessos simultâneos – mais de 140 mil apenas nas primeiras horas. Segundo a entidade, o sistema está processando cerca de 9 mil pedidos por hora, o equivalente a 2,5 solicitações por segundo.

Dos 600 mil que já solicitaram, aproximadamente 377 mil finalizaram todo o processo e entraram na fila de pagamento. Os valores começaram a ser depositados nesta segunda-feira (19) e devem ser concluídos em até dois dias úteis após a finalização de cada solicitação.

Entenda a Liquidação do Banco Master

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2024, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero. A decisão foi motivada por “grave crise de liquidez” e “graves violações às normas” do Sistema Financeiro Nacional.

As investigações revelaram um esquema de fraude de aproximadamente R$ 12 bilhões. O banco criou operações de crédito falsas, sem lastro real, para tentar manter sua solvência. Uma carteira de créditos inexistentes de R$ 6 bilhões foi registrada contabilmente e depois “revendida” ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões, após manipulação das taxas de juros.

O dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso ao tentar embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Ele foi solto dias depois mediante uso de tornozeleira eletrônica. A segunda fase da operação policial ocorreu em 14 de janeiro de 2026.

O Master oferecia CDBs com rentabilidade de até 140% do CDI – muito acima do praticado pelo mercado – para atrair investidores e captar recursos que sustentassem suas operações. Quando a captação secou em 2024, após suspeitas sobre a credibilidade da instituição, o esquema entrou em colapso.

Como Solicitar o Reembolso

O processo não é automático. Cada investidor precisa fazer a solicitação pelos canais oficiais do FGC. Caso você esteja entre os credores, veja como proceder:

Para pessoas físicas:

  1. Baixe o aplicativo oficial do FGC (disponível para Android e iOS)
  2. Faça o cadastro básico com CPF e dados pessoais
  3. Realize a validação por biometria facial
  4. Envie os documentos solicitados (RG ou CNH com CPF visível)
  5. Informe uma conta bancária de sua titularidade para receber o depósito
  6. Assine digitalmente o termo de sub-rogação
  7. Aguarde o pagamento em até dois dias úteis

Para pessoas jurídicas:

  1. Acesse o Portal do Investidor no site oficial do FGC (fgc.org.br)
  2. Preencha o formulário com os dados da empresa
  3. Aguarde e-mail com orientações específicas
  4. Envie a documentação solicitada
  5. Informe conta bancária em nome da empresa (mesmo CNPJ)
  6. Após validação, assine o termo de sub-rogação
  7. Aguarde o pagamento em até dois dias úteis

Atenção: Muitos investidores estão tendo pedidos recusados por tentarem validar a biometria com documentos que não exibem o CPF. O FGC reforça a importância de usar RG ou CNH que contenha o número do CPF visível.

Prazos e Valores

O FGC garante até R$250 mil por CPF ou CNPJ, por conglomerado financeiro. Esse valor inclui o montante investido mais os rendimentos acumulados até a data da liquidação (18 de novembro de 2024). Desde então, os recursos ficaram “congelados”, sem render.

Produtos cobertos pelo FGC: conta-corrente, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA e LCD.

Existe ainda um teto global de R$1 milhão por CPF ou CNPJ a cada período de quatro anos, considerando o conjunto de todas as garantias pagas pelo FGC em diferentes instituições.

Importante: Investidores que possuem valores superiores a R$250 mil no Banco Master devem solicitar o excedente diretamente no processo de liquidação conduzido pelo Banco Central, e não pelo FGC. Esses valores dependem da venda dos ativos do banco e podem demorar anos para serem recuperados, sem garantia de ressarcimento total.

O prazo para solicitar o reembolso ao FGC vai até 18 de novembro de 2030 – cinco anos após a liquidação.

Alerta Contra Golpes

Com o início dos pagamentos, o FGC emitiu alerta para tentativas de fraude. Criminosos estão se passando por funcionários do fundo e oferecendo “ajuda” para agilizar o processo, cobrando taxas antecipadas ou pedindo senhas e dados bancários.

O FGC esclarece:

  • Não cobra nenhum tipo de taxa para pagamento da garantia
  • Não antecipa pagamentos
  • Não utiliza intermediários
  • Não entra em contato por WhatsApp ou SMS
  • Nunca pede senhas, códigos ou depósitos prévios

Os únicos canais oficiais são:

Qualquer contato fora desses canais deve ser considerado golpe.

O FGC tem Recursos Suficientes?

Sim. O FGC possui liquidez de R$125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025. Mesmo após desembolsar os R$40,6 bilhões aos credores do Master, o fundo manterá reservas robustas, suficientes para enfrentar cenários severos de crise no sistema financeiro.

Este é o maior resgate da história do FGC. Antes disso, o maior havia sido no caso do Banco Bamerindus, em 1997, que movimentou cerca de R$20 bilhões em valores corrigidos pela inflação.

O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, mantida por contribuições mensais obrigatórias de todos os bancos associados. Sua função é proteger depositantes e investidores e prevenir crises bancárias sistêmicas.

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